Bonito descarta 3ª morte por chikungunya e MS volta a registrar 16 óbitos pela doença

Uma duplicidade no sistema do Ministério da Saúde inflou temporariamente o número de mortes por chikungunya em Mato Grosso do Sul. Após a correção, o Estado voltou a contabilizar 16 óbitos pela doença em 2026, e não 17, como indicava o painel federal nos últimos dias, número que igualaria o total de mortes registrado em todo o ano de 2025.

A inconsistência ocorreu após uma paciente de Bonito ser registrada duas vezes na base de dados, o que levou o município a aparecer com três mortes confirmadas por chikungunya. O erro elevou o total estadual para 15 óbitos no Painel de Arboviroses do Ministério da Saúde. Somado aos dois casos recentes confirmados em Dourados (8 e 11 de maio), que ainda não constavam no painel, o número chegava a 17 mortes.

Nesta quarta-feira (13), porém, a Prefeitura de Bonito confirmou a falha e esclareceu que os dois registros eram referentes à mesma paciente.

“A falha ocorreu devido a uma duplicação de um óbito. A paciente Irany entrou duas vezes no sistema, mas já havíamos encerrado o caso”, informou a administração municipal.

O erro havia sido identificado no último fim de semana, quando o painel federal passou a indicar a terceira morte pela doença em Bonito. Na ocasião, o Jornal Midiamax tentou contato com a Prefeitura, mas não obteve retorno. Como os dados constavam em uma base oficial do Governo Federal, a informação foi inicialmente considerada válida.

Agora, com a exclusão do registro duplicado, Mato Grosso do Sul soma atualmente 16 mortes por chikungunya em 2026. O balanço considera os 15 óbitos confirmados no painel federal e uma morte recente registrada em Dourados no dia 11 de maio, que ainda não consta no sistema do Ministério da Saúde.

MS segue como epicentro da chikungunya

Mesmo após a correção no número de mortes, Mato Grosso do Sul segue concentrando a maior parte dos óbitos por chikungunya registrados no país. Das 23 mortes confirmadas no Brasil, 16 ocorreram no Estado, o equivalente a 69,6% dos registros nacionais.

Na segunda-feira (11), Dourados confirmou a 11ª morte pela doença, reforçando o avanço da epidemia em Mato Grosso do Sul. Em pouco mais de quatro meses, o Estado já se aproxima do total de óbitos contabilizados durante todo o ano de 2025, quando foram registradas 17 mortes, conforme o painel do Ministério da Saúde.

Dourados lidera o número de óbitos, com 11 mortes confirmadas. Os demais estão distribuídos entre Bonito e Jardim, com duas mortes em cada município, e Fátima do Sul, com um registro.

O avanço da doença também aparece nos números de casos prováveis. De janeiro a maio, Mato Grosso do Sul já contabiliza 11.546 notificações, volume que representa mais de 70% de todos os casos registrados ao longo do ano passado. A incidência da doença no Estado chegou a 394,8 casos para cada 100 mil habitantes, índice quase 20 vezes superior à média nacional, de 18,7.

Com isso, Mato Grosso do Sul lidera o ranking nacional de incidência de chikungunya, à frente de Goiás (126,3), Minas Gerais (46,7), Rondônia (42,9), Mato Grosso (22,5), Tocantins (16,8) e Rio Grande do Norte (14,6).

Jornal Midiamax também solicitou esclarecimentos à SES (Secretaria de Estado de Saúde), mas não obteve retorno.

O que é a chikungunya

Mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika e chikungunya. (Foto: Arquivo Midiamax)

A chikungunya é uma arbovirose causada pelo vírus CHIKV e transmitida pela picada da fêmea do mosquito Aedes aegypti infectada. O vírus foi introduzido nas Américas em 2013, quando provocou epidemias em diversos países.

Os sintomas são semelhantes aos da dengue, mas costumam ser mais intensos e duradouros. Febre alta e dores articulares marcantes são características da doença, podendo persistir por mais de 15 dias. Em mais da metade dos casos, as dores nas articulações podem se tornar crônicas e durar anos.

Além disso, a doença pode provocar complicações cardiovasculares, renais, dermatológicas e neurológicas, incluindo encefalite, mielite, síndrome de Guillain-Barré e outras condições graves. Em casos mais severos, pode haver necessidade de internação e risco de morte.

Diante de sintomas, a recomendação é procurar atendimento médico para diagnóstico adequado. Os exames laboratoriais e testes diagnósticos estão disponíveis pelo SUS (Sistema Único de Saúde).

Fonte: https://midiamax.com.br/cotidiano/2026/bonito-descarta-3a-morte-chikungunya-ms-volta-registrar-16-obitos-doenca/

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