Rota da Celulose: 60 dias após concessão, rodovia MS-040 acumula crateras e reclamações de usuários

Pouco mais de sessenta dias após a assinatura do contrato de concessão da Rota da Celulose, o otimismo gerado pelo anúncio de R$ 10,1 bilhões em investimentos esbarra na realidade de quem depende das rodovias estaduais e federais de Mato Grosso do Sul. O consórcio Caminhos da Celulose, liderado pela XP Infra, assumiu a responsabilidade por 870,4 quilômetros de malha viária, mas o cenário atual é descrito por usuários como “abandono”.

MS-040

A rodovia estadual MS-040, que liga Campo Grande a Santa Rita do Pardo, é apontada como o ponto mais crítico do sistema. Um levantamento do Jornal Cenário MS identificou que, embora os primeiros 40 km não possuam buracos, o mato alto já encobre quase todas as placas de sinalização, tornando curvas e pontos de ultrapassagem proibida em armadilhas invisíveis.

A partir do KM 40, a situação se degrada rapidamente:

  • Crateras e Remendos: Do KM 150 em diante, o asfalto original praticamente desapareceu, dando lugar a uma sucessão de remendos e crateras que surgem de surpresa.
  • O “Pior Trecho”: Entre os quilômetros 170 e 185, veículos de passeio e carretas realizam manobras arriscadas para evitar danos severos.
  • Sinalização Inexistente: Após o KM 110, a pintura da pista é quase imperceptível em viagens noturnas, agravando o risco de acidentes.

Relatos dos usuários

Os áudios enviados por motoristas e moradores revelam um cotidiano de medo e indignação:

  • Risco à Vida: “A gente sai de casa, mas não sabe se volta”, relatou um trabalhador que utiliza a via diariamente, afirmando que motoristas precisam “entregar a alma a Deus” ao trafegar à noite.
  • Vulnerabilidade: Uma gestante de oito meses precisou realizar o trajeto em uma caminhonete durante o dia, pois a mãe a alertou que viajar à noite seria “perigoso demais” devido à dinâmica de “desviar de um buraco e cair em outro”.
  • Transporte de Pacientes: Motoristas que transportam pacientes para Campo Grande durante a madrugada denunciam que o serviço de “tapa-buracos” é ineficiente. “Tampam as crateras e deixam os buracos pequenos; você desvia do pequeno e cai no grande”, afirmou um condutor.
  • Danos Materiais: Em apenas uma noite, no trecho entre Santa Rita e Bataguassu (MS-338), três carros tiveram pneus estourados no mesmo buraco.

MS-338 e BR-267

Na MS-338, as imperfeições causadas pelo excesso de remendos geram trepidação excessiva, enquanto novos buracos surgem a cerca de 15 km de Santa Rita do Pardo. Já na BR-267, o descaso atinge os perímetros urbanos de Bataguassu e Nova Alvorada do Sul, onde a manutenção que antes era feita pelo DNIT cessou após a transferência para a concessionária.

Outro lado

AGEMS informou que o contrato estabelece um prazo de 12 meses para os “Trabalhos Iniciais”, período em que a concessionária deve corrigir os problemas mais relevantes antes de iniciar a cobrança de pedágio. A agência afirmou já ter realizado a primeira fiscalização e enviado um relatório técnico à concessionária.

No entanto, para quem utiliza a rodovia hoje, o prazo de um ano soa como uma eternidade diante do risco de morte. “Muitos já morreram nessa rodovia por falta de manutenção”, desabafou um usuário, citando também a falta de drenagem que causa aquaplanagem em dias de chuva.

Até o momento, a empresa Caminhos da Celulose não respondeu aos questionamentos sobre a lentidão nas intervenções emergenciais.

Fonte: https://cenarioms.com/noticia/18629/rota-da-celulose-60-dias-apos-concessao-rodovia-ms-040-acumula-crateras-e-revolta-de-usuarios

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