Com frota bloqueada, maior distrito de atendimento à saúde indígena de MS inicia paralisação

Em meio à situação emergencial de casos de chikungunya em Dourados, o Dsei-MS (Distrito Sanitário Especial Indígena de Mato Grosso do Sul), o maior distrito de atendimento aos povos originários do Brasil, está paralisado.

Trinta e cinco caciques da região norte do Estado, da etnia Terena, mobilizaram-se e ocuparam a sede do distrito, em Campo Grande, para reivindicar frota para atendimento da população indígena.

Segundo o cacique e coordenador do conselho Terena, Célio Francelino, a saúde indígena em MS está paralisada. “Desde a última semana, o atendimento e o transporte do Dsei-MS está bloqueado devido a uma rescisão de contrato, feita de forma unilateral”, explica.

Em meio a tratativas com a AGU (Advocacia-Geral da União) e com a Sesai (Secretaria de Saúde Indígena) de Brasília, seria feita uma rescisão do contrato com a empresa de locação de veículos. Porém, conforme o cacique, o Dsei não agilizou o acordo de forma amigável, e, na última sexta-feira (20), a frota foi novamente paralisada.

“Voltamos hoje aqui para buscar intermediar e resolver essa problemática, para que se faça o mais rápido possível a rescisão de forma amigável. Quarta-feira passada conseguimos a liberação das viaturas com o proprietário da empresa, mas sob o acordo de que até sexta-feira a rescisão seria assinada.”

A paralisação

A decisão coletiva dos caciques presentes no movimento é de que, então, o Dsei-MS seja fechado. “Brasília está irredutível. Os mais prejudicados nessa história toda é o povo que está na base, sem fazer os exames difíceis de serem marcados”, ressalta Célio.

Além disso, a atual coordenação do distrito, voltado à saúde básica dos povos indígenas no Estado, não é composta por indígenas. O cacique Josimar Miranda destaca que essa é mais uma problemática, já que a coordenação não conhece a realidade dos povos originários.

“Saúde não admite falha. Qualquer erro é fatal”, comenta. Mato Grosso do Sul abriga a terceira maior comunidade indígena do Brasil, com 116 mil indígenas. “A ausência dessa frota já ocasionou morte, porque estamos sem apoio logístico”, completa Josimar.

A mobilização dos caciques solicita um diálogo com a Sisai de Brasília para achar um meio-termo e a liberação imediata das viaturas do distrito. “Nós queremos voltar para nossas casas, para nossas famílias. Mas, se for preciso ficar essa semana, até que se resolva, estaremos aqui”, finaliza o cacique Célio.

A situação de Dourados

O Dsei é o maior responsável pela saúde indígena em MS e o único responsável pelo deslocamento da população aos hospitais e unidades de saúde. “Com a paralisação, quem vai levar? Por isso estão morrendo crianças e demais indígenas em Dourados”, reivindica o cacique Célio.

Na última semana, aulas foram suspensas em aldeias em Dourados por conta da epidemia de chikungunya, que já matou quatro pessoas. Segundo o cacique Vilmar Machado, só na Escola Estadual Indígena Guateka Marçal de Souza, há 20 funcionários com suspeita de chikungunya, entre merendeiros, zeladores e oito professores, e cerca de 10% dos alunos com sintomas.

A Escola Municipal Indígena Tengatiu Magangatu também teria vários funcionários administrativos e cerca de 30% dos alunos com suspeita. MS receberá a vacina contra a chikungunya após registrar as quatro mortes. A SES (Secretaria de Estado de Saúde) solicitou o envio dos imunizantes devido à epidemia no município de Dourados.

As vítimas foram três idosos, de 60, 69 e 73 anos, além de um bebê de apenas três meses. Eles moravam na mesma Reserva Indígena de Dourados, a maior reserva urbana do Brasil. Além das mortes, o Estado já registrou 2.639 casos prováveis da arbovirose em 2026, conforme dados do Painel de Monitoramento das Arboviroses.

Cacique Célio. (Foto: Pietra Dorneles, Jornal Midiamax)

Fonte: https://midiamax.com.br/cotidiano/2026/frota-bloqueada-maior-distrito-atendimento-saude-indigena-ms-inicia-paralisacao/

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