A ausência da concessionária Neoenergia Elektro marcou negativamente a audiência pública realizada na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALEMS) nesta quarta-feira (25). O evento, convocado para discutir a precariedade do fornecimento de energia no estado, contou com a presença da Energisa, mas a Elektro — responsável pelo atendimento em Anaurilândia, Brasilândia, Santa Rita do Pardo, Três Lagoas e Selvíria — não enviou representantes e nem apresentou justificativa oficial.
O deputado estadual Caravina (PSDB), proponente do encontro, classificou a atitude como um “descaso” com o Poder Legislativo e anunciou que a Casa enviará uma nota oficial de repúdio à empresa.
Indignação em Santa Rita do Pardo e Brasilândia
Em vídeos registrados durante o evento, prefeitos e vereadores das cidades atendidas pela Elektro manifestaram forte indignação. O prefeito de Santa Rita do Pardo, Dr. Lúcio Costa, acompanhado de seu vice e secretários, revelou que a empresa havia confirmado presença na última sexta-feira, mas recuou.
“A Elektro não compareceu e não se justificou. Infelizmente, quando queima um freezer ou uma televisão, o povo cobra o gestor municipal, mas a culpa é da concessionária, que cobra caro e não dá assistência aos nossos munícipes”, afirmou o prefeito.
Já em Brasilândia, a presidente da Câmara Municipal, Jô Silva, acompanhada de demais vereadores, protestou contra o que chamou de “falta de consideração”. Além das quedas de energia, a parlamentar denunciou aumentos considerados abusivos nas faturas. “Viemos questionar por que contas que tinham um valor X, de repente, triplicaram ou quadruplicaram sem qualquer explicação técnica”, pontuou a vereadora.
O município de Anaurilândia também esteve representado por secretários municipais.
Risco ao desenvolvimento econômico
A ausência foi vista com preocupação pelo setor produtivo. Lucas Galvan, diretor da Famasul, destacou que a Elektro atua na chamada “Rota da Celulose”, o principal polo de expansão industrial do estado. Segundo ele, ao “virar as costas” para o debate, a empresa ignora os gargalos que podem afugentar novos investimentos e limitar o crescimento da produção rural.
Pressão institucional e investigação
O vereador Júnior Coringa, representando a União das Câmaras (UCV-MS), foi o autor da proposta mais incisiva: o encaminhamento de um dossiê ao Ministério Público (MP) para investigar a empresa. “É um absurdo uma empresa que leva milhões do povo sul-mato-grossense agir dessa forma. Eles não estão aqui porque não têm coragem de ouvir as críticas”, disparou.
Como encaminhamento prático, a Assembleia Legislativa deve enviar diretamente à Elektro as demandas colhidas, incluindo o pedido urgente de Brasilândia para a substituição de postes de madeira deteriorados na área urbana, e levar o relatório à bancada federal para influenciar a renovação da concessão da empresa, prevista para os próximos anos.





