Campo Grande sedia conferência da ONU para discutir proteção de espécies migratórias

A 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação de Espécies Migratórias de Animais Selvagens (COP15 CMS), vinculada à Organização das Nações Unidas (ONU), teve início nesta segunda-feira (23) em Campo Grande, Mato Grosso do Sul. O encontro reúne aproximadamente 2 mil representantes de 133 países, incluindo cientistas, lideranças governamentais e comunidades tradicionais, com o objetivo de articular políticas internacionais para a proteção de rotas migratórias e habitats essenciais à fauna global.

A pauta da conferência concentra-se na contenção do declínio populacional das espécies migratórias. Dados apresentados durante a abertura indicam que 49% dessas espécies registram redução em suas populações e 24% estão sob risco de extinção devido a fatores como mudanças climáticas, fragmentação de habitats, poluição e caça ilegal. Durante as sessões, os negociadores devem analisar propostas para incluir 42 novas espécies no tratado de proteção, entre as quais figuram a coruja-das-neves e o tubarão-martelo.

Como medida prática associada ao evento, o governo federal anunciou a expansão do Parque Nacional do Pantanal Matogrossense e da Estação Ecológica do Taiamã, além da criação da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Córregos dos Vales, em Minas Gerais. No total, as novas delimitações somam mais de 148 mil hectares de áreas protegidas. O esforço integra o plano de aumentar a conectividade ecológica, facilitando o deslocamento de espécies que utilizam o Pantanal como ponto de parada em rotas continentais.

No âmbito estadual, Mato Grosso do Sul apresentou o Anuário Estadual de Políticas Climáticas, documento técnico que monitora a governança ambiental e o cumprimento de metas de descarbonização. O estado, que implementou a Lei do Pantanal em 2023, busca consolidar estruturas legais para o funcionamento de fundos ambientais e pagamentos por serviços de conservação. O secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, ressaltou que a escolha da capital sul-mato-grossense visa dar visibilidade técnica e científica ao bioma Pantanal, compartilhado com Bolívia e Paraguai.

A CMS, conhecida como Convenção de Bonn, vigora desde 1979 e atualmente lista 1.189 espécies sob sua proteção, abrangendo aves, mamíferos, peixes e répteis. A programação em Campo Grande prevê debates sobre mineração em águas profundas, poluição sonora e luminosa, e o impacto da infraestrutura humana nas rotas migratórias, buscando converter os diagnósticos científicos em compromissos diplomáticos vinculantes entre os países signatários.

Fonte: https://cenarioms.com/noticia/18416/campo-grande-sedia-conferencia-da-onu-para-discutir-protecao-de-especies-migratorias

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