Por ciúmes, ex-marido arma emboscada e mata professora em Ribas do Rio Pardo

A professora Cinira de Brito, de 44 anos, foi assassinada a facadas pelo ex-companheiro, Anderson Aparecido de Olanda, de 41 anos, no final da tarde da última quinta-feira (31), em Ribas do Rio Pardo. O crime, que ocorreu na casa onde o casal morava no bairro Centro Velho, é o 20º feminicídio registrado em Mato Grosso do Sul neste ano. Após o ataque, Anderson tentou tirar a própria vida e morreu horas depois.

Segundo as investigações da Polícia Civil, o crime foi premeditado. Anderson teria atraído Cinira ao local sob o pretexto de que ela poderia buscar seus pertences, enviando uma mensagem para afirmar que não estaria na residência. No entanto, ele a aguardava escondido. A professora, que havia terminado o relacionamento recentemente após descobrir uma traição e já estava em um novo namoro, foi à casa acompanhada de uma amiga.

Ao chegarem, Anderson surpreendeu Cinira com múltiplos golpes de faca. A amiga tentou intervir, mas também foi ameaçada e conseguiu fugir para pedir ajuda. Cinira foi atingida por aproximadamente sete facadas, incluindo duas na perna e três no abdômen, e morreu no quintal da residência antes da chegada do socorro.

Após o assassinato, Anderson atentou contra a própria vida, utilizando a faca e ingerindo veneno. Ele foi encontrado por familiares e socorrido em estado grave pelo SAMU, sendo transferido para a Santa Casa de Campo Grande, mas não resistiu e morreu durante o trajeto. A principal linha de investigação aponta ciúmes como a motivação para o crime. Uma carta supostamente deixada por Anderson foi encontrada e está sendo periciada.

Natural de Presidente Venceslau (SP), Cinira de Brito morava em Ribas do Rio Pardo há cerca de dois anos, vinda de Bataguassu com Anderson, com quem teve um relacionamento de sete anos. Ela não era professora efetiva da rede municipal, atuando como substituta em diversas escolas. Atualmente, lecionava na Escola Estadual Doutor João Ponce de Arruda. Segundo relatos, o relacionamento do casal não tinha histórico de brigas registradas.

Mato Grosso do Sul enfrenta onda de feminicídios

A morte de Cinira eleva para 20 o número de feminicídios em Mato Grosso do Sul entre 1º de fevereiro e 31 de julho de 2025. A estatística revela uma média alarmante de um assassinato de mulher por razões de gênero a cada nove dias no estado.

Outros casos de grande repercussão marcaram o ano. Em Naviraí, Juliete Vieira, de 26 anos, foi morta com um golpe de faca no pescoço pelo próprio irmão. O primeiro feminicídio de 2025 vitimou Karina Corim, de 29 anos, em Caarapó. Ela foi baleada pelo ex-companheiro dentro de sua loja, dias após solicitar uma medida protetiva.

A brutalidade também chocou a opinião pública com o assassinato da jornalista Vanessa Ricarte em Campo Grande, em 12 de fevereiro, e com o duplo feminicídio de Vanessa Eugênia Medeiros e sua filha de dez meses, Sophie Eugênia, em 26 de maio, crime cometido pelo companheiro e pai da criança.

Apenas em 2024, Mato Grosso do Sul registrou 11.427 casos de violência doméstica, um dado que evidencia a urgência de políticas públicas eficazes e de uma mudança cultural para proteger a vida das mulheres.

O Código Penal brasileiro define feminicídio como o assassinato de uma mulher “por razões da condição de sexo feminino”, com penas que variam de 12 a 30 anos de reclusão. 

Fonte: https://cenarioms.com/noticia/14976/por-ciumes-ex-marido-arma-emboscada-e-mata-professora-em-ribas-do-rio-pardo

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