Celulose fica fora de tarifa dos EUA ao Brasil, beneficiando o ‘Vale da Celulose’ em MS

Em uma decisão que acalmou um dos setores mais pujantes da economia brasileira, a indústria de celulose foi oficialmente isenta da sobretaxa anunciada pela Casa Branca sobre produtos do Brasil. A notícia representa um alívio estratégico para o “Vale da Celulose” de Mato Grosso do Sul, epicentro de um ciclo de investimentos que se aproxima dos R$ 100 bilhões e que havia recebido o anúncio inicial com grande apreensão.Informação segundo o site: Cenário-MS.

A medida protecionista, que elevaria a tarifa total para 50% e tinha como justificativa oficial supostas “violações de direitos humanos”, gerou reação imediata no setor produtivo. Sérgio Longen, presidente da Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul (Fiems), classificou a proposta como “inaceitável”, enquanto o governador Eduardo Riedel (PSDB) a chamou de “equívoco”, defendendo uma solução diplomática.

A apreensão era justificada. Os Estados Unidos são o segundo maior comprador de produtos sul-mato-grossenses, tendo importado US$ 315,4 milhões no primeiro semestre de 2025. A celulose, que representa 32,68% da pauta exportadora do estado, seria diretamente impactada, ameaçando a rentabilidade de gigantes como a Eldorado Brasil, em Três Lagoas, e a Suzano, em Ribas do Rio Pardo.

Contudo, a resolução do impasse revelou uma complexa dependência econômica. Em um anexo que detalhava os produtos isentos, a celulose figurava ao lado de suco de laranja e aeronaves. A isenção não foi um gesto de boa vontade, mas um reconhecimento pragmático da indispensabilidade da fibra curta de eucalipto brasileira para o mercado americano.

Dados de mercado indicam que o Brasil fornece entre 78% e 80% de toda a celulose de fibra curta consumida nos Estados Unidos, com a Suzano detendo sozinha cerca de 55% desse mercado na América do Norte. Uma tarifa sobre o insumo brasileiro representaria um aumento de custo massivo para as próprias indústrias de papel americanas, especialmente as de produtos de alto valor agregado, como papéis sanitários, com potencial para gerar inflação ao consumidor final.

Analistas de mercado, como os do Itaú BBA e da Genial Investimentos, classificaram a isenção como um grande alívio, eliminando um risco que poderia desestabilizar os preços globais.

Um gigante em expansão

A isenção da tarifa reforça a posição estratégica do “Vale da Celulose” em um momento de expansão sem precedentes. A região é palco de investimentos colossais que redefinem a escala global do setor:

  • Suzano: Com o “Projeto Cerrado” de R$ 22,2 bilhões já em operação em Ribas do Rio Pardo, a empresa opera a maior fábrica de celulose de linha única do mundo.
  • Arauco: A gigante chilena investe cerca de R$ 27 bilhões no “Projeto Sucuriú”, em Inocência.
  • Eldorado Brasil: Planeja uma segunda linha de R$ 25 bilhões em Três Lagoas, dobrando sua capacidade.
  • Bracell: Anunciou um projeto de R$ 16 bilhões para uma megafábrica em Bataguassu, com foco em celulose solúvel.

Mesmo antes da isenção ser confirmada, a Suzano já havia adotado uma estratégia para mitigar os riscos, aumentando seus estoques nos Estados Unidos e afirmando que qualquer custo tarifário seria inevitavelmente repassado aos consumidores americanos.

Fonte: https://topmaxnews.com.br/noticia/1312/celulose-fica-fora-de-tarifa-dos-eua-ao-brasil-beneficiando-o-vale-da-celulose-em-ms

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