“Julho das Pretas” celebra força e ancestralidade com a história de Elizângela Eliandes, mulher indígena da Aldeia Ofaié

A Campanha “Julho das Pretas”, tradicionalmente dedicada à luta e resistência das mulheres negras, ganha este ano um olhar que atravessa fronteiras culturais. Desta vez, o protagonismo é da indígena Elizângela Eliandes, 30 anos, moradora da Aldeia Ofaié, artesã, professora e estudante de Linguagens na UFMS de Aquidauana. Mãe de Silmari Emanuely (9 anos) e Sidney (14 anos), Elizângela carrega consigo a missão de preservar saberes ancestrais enquanto constrói pontes entre mundos.

“Minha história é feita de raízes e asas”
Nascida na reserva Cisalpina, Elizângela migrou ainda criança com a família para a Aldeia Ofaié, onde cresceu entre os ensinamentos tradicionais e os bancos da escola. “Estudei da primeira à quinta série na aldeia, depois fui para a cidade. Me formei em magistério com habilitação em pedagogia indígena, e hoje curso Linguagens para fortalecer nossa língua materna”, conta.

Seu trabalho com artesanato em folhas e tecidos não é apenas fonte de renda, mas um ato de resistência. “Cada ponto no bordado carrega nossa cosmologia. Enquanto minhas mãos criam, minha voz ensina os filhos e a comunidade a nunca esquecer quem somos”.

A Mulher Indígena: Raiz que Sustenta o Futuro
Elizângela personifica o papel multifacetado das mulheres indígenas na sociedade:

Guardiã da cultura: Preserva a língua Ofaié e ensina às crianças os rituais e o uso de plantas medicinais.

Educadora: Na sala de aula e em casa, une o conhecimento acadêmico à sabedoria ancestral.

Lutadora por direitos: Participa de assembleias e mobilizações pela demarcação de terras e visibilidade indígena.

“Sou fruto do que meus pais plantaram: me criaram para ser útil, curiosa e respeitosa. Minha personalidade veio para romper estereótipos – não somos ‘figuras do passado’, mas vozes ativas no presente”, afirma.

“Julho das Pretas”: Uma Luta que Une Mulheres
A campanha, celebrada em todo o Brasil, amplia seu significado ao incluir narrativas como a de Elizângela. “Nossa luta contra a discriminação é coletiva. Mulheres negras e indígenas compartilham histórias de resistência”, reflete Patricia Aparecida Lopes, secretária municipal da Mulher de Brasilândia, que apoia a iniciativa.

Por que 25 de julho?
A data homenageia Tereza de Benguela, líder quilombola, e reforça o legado das mulheres negras e indígenas contra o racismo e o sexismo. “É dia de lembrar que nossa existência é política”, completa Elizângela.

Serviço
Evento “Julho das Pretas” em Brasilândia

Data: 25 de julho

Local: Centro de Conviver Lídia Martins dos Santos

Programação: Apresentações culturais, Desfiles e demais atividades

Apoio: Secretaria Municipal da Mulher e Coordenadoria de Igualdade Racial.

Fonte: https://www.brasilandia.ms.gov.br/portal/noticias/0/3/5713/julho-das-pretas-celebra-forca-e-ancestralidade-com-a-historia-de-elizangela-eliandes-mulher-indigena-da-aldeia-ofaie

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